Desenvolvido dentro da ideologia “clean label” (em tradução livre “rótulo limpo”) é um produto sem conservantes, sem derivados animais e livre de glúten. Priorizando o uso de ingredientes simples e naturais.
(41) 3081-8662
contato@naodequeijo.com.br

Ser vegano não se trata apenas de abolir a carne da alimentação

Você sabia que …

70 bilhões de animais terrestres são mortos, anualmente, para consumo humano;
193 animais são mortos por segundo pela pecuária brasileira;
50% a 90% é a redução prevista pela Climate Focus de emissões anuais de CO² na atmosfera até 2030 caso o mundo adotasse uma dieta vegetariana.

A lista de famosos veganos é extensa e só tende a crescer: Paul e Stella McCartney, Miley Cyrus, Anne Hathaway, Ariana Grande, Brad Pitt e por aí vai.  Mais do que deixar de comer carne animal, ser adepto do veganismo significa seguir uma filosofia e um estilo de vida.

Longe do estereótipo de hippies ou apaixonados por alface, quem segue essa filosofia mostra que é possível, a cada dia, fazer inovações no cardápio. Os adeptos da alimentação vegetariana, por exemplo, somam 30 milhões – segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Ibope e encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira, realizada em 102 municípios brasileiros.

Resultados mostram o interesse da população por mais itens veganos (livres de qualquer ingrediente de origem animal): cerca de 55% dos entrevistados disse que consumiria mais produtos se eles tivessem informações mais claras na embalagem. Nas capitais, o índice de interessados nesse tipo de alimentação é de 65%.

O aumento de influenciadores banindo o uso de produtos que exploram os animais forçou vários setores da indústria a mudar e se adaptar. “Esses grupos (veganos) atuam, por exemplo, no boicote a marcas de roupas e sapatos de origem animal, ou cosméticos e remédios que tenham testes utilizando animais”, justifica Fabrício Monteiro Neves, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB).

DISCERNIMENTO 

O empresário Fabiano Osório, de 40 anos, conta que foi devido a essa questão animal que abdicou gradativamente dos produtos dessa origem e se permitiu ter uma mudança no estilo de vida. Essa transformação o levou a abrir a lanchonete O Vegano, na Savassi, Região Centro – Sul de Belo Horizonte, como forma de expandir o conhecimento para pessoas que não conheciam essa filosia e ser um ponto de encontro para outros adeptos, levando uma culinária saudável e um discernimento mais claro para os clientes.

“Virei vegano em 2011, quando tinha 33 anos, pela questão animal no princípio da não exploração desses seres. Foi por eles que mudei todo o meu estilo de vida Não tinha noção disso até então. Minha transição foi de certa forma tranquila, porque era algo que eu queria muito, e fui substituindo minha alimentação aos poucos. Hoje, aos 40, posso dizer que a minha alimentação é muito melhor nutricionalmente do que antigamente”, relata Fabiano.

Pela baixa oferta de produtos veganos no mercado, o empresário teve uma alimentação muito restrita. “Passei a aprender a cozinhar e peguei gosto. Com o tempo, fui estudando e tenho uma alimentação mais saudável e harmoniosa com aquilo que acredito.”

MUDANÇAS 

A transição para o veganismo costuma ser uma fase cheia de ansiedade e descobertas, já que é um passo importante e precisa ser feito de forma gradual para que tanto o corpo quanto a mente se adaptem adequadamente ao novo estilo de vida. “Na questão da alimentação, a carne vermelha foi a mais fácil de largar. Você passa uma vida toda com uma cultura alimentar, quando decide mudar é complicado, mas não é impossível. Afinal, mudanças geram dificuldades e temos um apego tradicional e cultural no que comemos. Quando chegou na hora de abdicar do queijo, foi um dilema para mim, já que eu gostava muito”, cometa.

Quando o empresário saía para comer fora e se deparava com o alimento favorito dele, tinha que encarar o problema. Após três anos na dieta vegana, Fabiano foi em uma sanduicheria vegetariana, e apesar de ter solicitado para que retirassem o queijo do prato que pediu, quando chegou, estava lá e pela primeira vez, saiu da dieta. “Foi um dos piores gostos da minha vida”, comenta ele.

 

Crítica à sociedade
Exploração intensa de recursos naturais, principalmente a pecuária, é um dos fatores que favorecem o crescimento do veganismo no mundo. Movimento busca a sustentabilidade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem indicado, em relatórios, a necessidade de diminuir o consumo de carne, temendo um cataclismo ambiental sem precedentes. Para Fabrício Monteiro Neves, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), embora ainda seja minoria nos movimentos ambientalistas, o veganismo oferece uma crítica à sociedade industrial capitalista, ao modo de vida baseado na exploração intensa de recursos naturais, principalmente a pecuária.

“Nesse sentido, o movimento oferece formas alternativas de organizar a sociedade, de compreender as relações sociedade-natureza e de experimentar formas mais sustentáveis de vida.” O sociólogo ressalta que o veganismo é uma tendência que está se expandindo, principalmente porque o consumo de carne nos padrões atuais tem se mostrado insustentável para o sistema planetário.

Essa expansão encontra barreiras, principalmente no lobby agropecuário, nos hábitos arraigados, nas práticas religiosas e nas comunidades tradicionais. “Como impedir o sacrifício animal em rituais religiosos? Como exigir por parte dos indígenas o fim da caça? Essas perguntas sempre vem à tona quando se advoga o veganismo como modo de vida universal.”

INFLUÊNCIAS

Desde o início do curso de psicologia, Luísa Ferrari, de 26 anos, se interessou pelo vegetarianismo. Antes, houve muita relutância em se entregar a esse estilo de vida. As influências vieram, de uma professora, adepta do veganismo, e em seguida pelo namorado, que comentava sobre a vontade de ser vegetariano.

Mas só veio virar realidade após se sensibilizar com um vídeo na internet, em que um garotinho não queria comer um prato de polvo preparado pela mãe, por compaixão ao animal. De início, Luísa parou de comer frango; depois, a carne vermelha. Por último, largou o peixe. “Sushi, para mim, foi o mais difícil. Mas lembro-me de que comi meu último hambúrguer e me senti enjoada”, conta.

Mesmo abdicando da alimentação à base de carne animal, Luísa consumia os derivados, como leite, ovo e mel. Por ser apaixonada por maquiagem, acompanhava blogueiras e youtubers, mas não ouvia mencionar empresas cosméticas que não faziam testes em animais. Por conta disso e do seu estilo de vida, decidiu abrir um canal no YouTube e um blog.

O público começou a nortear os horizontes das decisões da moça. As pessoas cobravam dela o fato de que buscava produtos não testados em animais, mas continuava a consumir alimentos de origem animal. “Resisti muito no começo. Eu falava: ‘Não vou dar conta!’.”

A psicóloga achava que não seria aceita no convívio social por conta dessa nova filosofia de vida. “Achava que seria excluída pelos amigos.” Luísa, assistiu a vários documentários, passou a seguir youtubers veganos gringos e viu que não seria tão difícil assim se tornar uma vegana. “Percebi que não ia ficar sem comer, nem ia morrer.”

Em 2016, por fim, se declarou vegana. A mudança radical foi sentida em todos os lados da vida social. Quando era apenas vegetariana, os amigos sabiam que podiam sair para comer um pastel, porque Luísa escolheria um de queijo. Mas, após a decisão, todos precisariam se adaptar ao novo estilo de vida dela.

Sua mãe entrou na jogada e decidiu se tornar vegana junto a filha. Na época não havia muitos restaurantes para o público vegano, eles passaram a surgir aos poucos. Assim, surgiu a ideia de criar um guia de lugares e estabelecimentos veganos.

Recentemente, a brasiliense trocou a capital por São Paulo. Lá, acredita que terá mais facilidade de acesso a esse universo vegano.

O que é?

O termo vegan (vegano, traduzido para o português) foi criado em 1944 pelo britânico Donald Watson e, desde então, transformou-se em um movimento político, ético e de estilo de vida, ganhando muitos adeptos no calor das revoluções contraculturais da década de 1960. O veganismo procura excluir todas as formas de exploração animal – na alimentação, no vestuário ou em qualquer outra finalidade.

Unidas por uma causa 

O ‘Maraveggies’ foi concebido como um grupo de suporte a meninas que mudaram para a filosofia vegana para compartilhar experiências e dar suporte nos dilemas no dia a dia. Do aplicativo de mensagens, o coletivo decidiu usar o Instagram como forma de compartilhar tanto os frutos de discussões fomentadas no grupo do WhatsApp quanto as visões individuais e conhecimentos de cada integrante. “O surgimento de grandes amizades foi inevitável com a interação dentro do grupo, e com elas veio a ideia de criar um Instagram para compartilhar o conhecimento discutido ali”, diz Marina Fuzzesy, estudante de medicina e integrante do coletivo.

Aprender a conviver com o outro, com diferentes formas de pensar e de sentir, é um desafio nos dias de hoje. Mas, quando existe um conjunto de pessoas querendo compartilhar do mesmo espaço, com objetivos comuns, a troca de experiências e de conversas pode ser bem positivo. E, aos poucos, cada uma foi percebendo que não estava mais sozinha e isso encorajou todas para que seguissem nesse novo estilo de vida. “O coletivo ajuda a sermos firmes. Nos sentirmos apoiadas quando alguma coisa indesejável ocorre. Compartilhamos vivências pessoais e todas se unem para suportar umas às outras. Somos 14 meninas, muito diferentes uma das outras. Somos estudantes, mães, artistas, advogadas, engenheiras, cozinheiras e comerciantes… É incrível como mesmo tão diferentes estamos ligadas por uma vontade maior: de espalhar consciência pelo planeta e amor pelos animais”, comenta Iasmim Nery, estudante de direito.

 

De paixão a estilo de vida

Amor e compaixão pelos animais levam diversas pessoas a adotar o veganismo no dia a dia. Quem é adepto garante que é possível comer bem e ter uma boa saúde.

Bastou poucos minutos de conversa, para notar a naturalidade e seriedade, com que Camila Amantéa, de 35 anos, leva o estilo de vida vegano. Ela disponibiliza dicas e repassa receitas que no mínimo te deixam curioso.  “Você conhece coxinha de jaca? Quando verde e temperada, o resultado é maravilhoso”, indica ela, nos primeiros minutos de entrevista. “Sigo essa filosofia e como comidas bastante comuns”, completa.

Tudo começou há alguns anos atrás. Primeiro, veio o vegetarianismo, quando a empresária e professora de dança tinha apenas 19 anos. As restrições a outros alimentos chegaram com o tempo e com a necessidade. “Sempre fui apaixonada pelos animais. Quando criança, comia de tudo. Um dia vendo um vídeo sobre o processamento dos alimentos até chegarem aos nossos pratos, me abriu os olhos de uma forma tão intensa e dolorosa que não consegui mais ignorar”, conta. As carnes já não eram mais bem-vindas. Algum tempo depois, após assistir outro documentário, a necessidade do veganismo falou mais forte. “Pesquisei formas de preparar pratos, substituir proteínas, buscar novas opções e aceitar novos sabores.” As compras no mercado viraram rotina, assim como a leitura dos rótulos e dos ingredientes. Além da restrição na alimentação, Camila compra produtos de limpeza e de beleza que não fazem teste em animais e sempre confere a etiqueta das roupas.

“Hoje, digo que é fácil ser vegano, muito mais que há alguns anos. Temos acesso a muitas receitas e opções deliciosas na internet. Há produtos industrializados, restaurantes, empórios e muitos autônomos que vendem comidinhas deliciosas”, garante. Como resultado, a saúde respondeu de forma positiva: a rinite, que era fiel companheira, resolveu dar uma trégua, e a disposição só aumentou.

 

É SEGURO?

De acordo com Allan Ferreira, nutrólogo do Hospital Santa Lúcia e membro titular da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), organicamente, o veganismo, quando feito sem acompanhamento, oferece riscos à saúde. “Se não houver orientação, pode resultar em uma dieta pobre em nutrientes essenciais, como vitamina B12, ferro, ômega 3 e, menos comumente, iodo, cálcio e vitamina D”, alerta.

É importante procurar um especialista com experiência nesse tipo de dieta, que acompanhe a reposição vitamínica, peça exames regulares para investigar possíveis deficiências nutricionais e esteja atento na hora da substituição de proteínas e nutrientes. “Os veganos correm mais risco de desnutrição. Deve-se entender que, na infância, ela funciona de forma diferente do que ocorre em um corpo adulto”, aponta o nutrólogo. Segundo ele, caso ocorra algum quadro desse tipo, ele pode resultar em déficit no crescimento físico e até mesmo de desenvolvimento mental.

 

 

 

Fonte: Saúde Plena

Post a Comment