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Mitos e verdades sobre se tornar vegetariano

Comida vegetariana é mais cara? A vontade de comer carne passa? Essas e outras perguntas podem ser respondidas por especialistas que são vegetarianos há mais de dez anos. Uma onda de desinformação e preconceito ainda ronda esse estilo de vida. Seu crescimento alavancou na última década, só no Brasil, 14% (população que se declarou vegetariana) segundo pesquisa do Ibope divulgada este ano (2018). Há seis anos, esse número era de 8%.

Para a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), um dos motivos para o aumento de vegetarianos é o fácil acesso e difusão de informações que as mídias sociais possibilitam. “A facilidade de encontrar produtos veganos nos grandes centros, como um lanchinho de meio da tarde. Isso favorece manter a postura e que novas pessoas adotem o vegetarianismo”, diz Ricardo Laurino, presidente da SVB que é vegetariano há 28 anos e há 15 vegano. “Acreditamos que isso seja só o começo”, afirma.

A troca de informações sobre a causa animal e discussões éticas e políticas preparam o caldo para uma maior adesão ao vegetarianismo. “O avanço de pesquisas científicas sobre o tema e a ação de movimentos sociais ambientalistas e pautados na causa animal foi fundamental”, analisa Juliana Abonizio, professora da pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea na Universidade Federal do Mato Grosso.

Quem adota a dieta é questionado sobre tudo. Por isso, foram listados oito mitos e verdades sobre o vegetarianismo para ajudar a tirar algumas dúvidas frequentes de quem quer adotar esse estilo de vida.

 

• “Vegetarianos têm deficiência de vitaminas e ingerem pouca proteína”
MITO. Como qualquer dieta, a vegetariana também precisa de equilíbrio entre os grupos de alimentos. Isso inclui proteína, carboidrato e gordura, além de boa ingestão de fibras. “A dieta não é o único fator que influencia em deficiências. Há também a influência do metabolismo e da microbiota intestinal na absorção de nutrientes”, indica Natalia Chede, nutricionista e vegana há 13 anos.

Das deficiências mais comuns estão a de ferro e a de vitamina B12, tanto vegetarianos quanto onívoros. A principal fonte de B12 são os alimentos de origem animal, contudo existem produtos fortificados com a vitamina para vegetarianos e é possível suplementar através de injeção ou cápsulas manipuladas.

Consumir leguminosas (feijões, grão-de-bico, ervilha partida e lentilha, por exemplo) e vegetais verde escuro acompanhada de uma fonte de vitamina C (como suco de laranja) aumenta a absorção de ferro. “Também é preciso retirar da dieta laticínios, que interferem na absorção do ferro de origem vegetal”, ensina Natalia. Para substituir os laticínios como fonte de cálcio, é possível trocar por tofu, gergelim, leguminosas e melado, estes últimos também fonte de ferro.

 

• “A vontade de comer carne não passa”
VERDADE. A maior parte dos vegetarianos não consideram animais como alimentos, por isso declaram não sentir vontade de comer carne.  Mas a cultura alimentar e a formação do paladar ainda influenciam no desejo. “Nas entrevistas que fiz (em pesquisa realizada após seu pós-doutorado) muitos vegetarianos disseram sentir vontade de comer carne e muitos comem, ocasionalmente, fazendo uma ruptura de suas dietas em datas específicas, normalmente comemorativas”, revela Juliana.

Há quase 12 anos, Sandra Guimarães é vegana e desde 2010 mantém um blog em que fala sobre alimentação vegana. “Talvez algumas pessoas sintam apego gustativo. Mas é irrelevante, porque a decisão é moral e o veganismo é uma posição política. Tomamos essa decisão de que a vida do animal é mais importante do que a preferência gastronômica”, defende Sandra.

 

• “Comida vegetariana dá fome mais rápido”
VERDADE. Segundo Natalia, uma alimentação baseada em proteína animal e ingredientes refinados pode “entupir” o sistema digestivo, uma sensação que é confundida com saciedade. “Ao mudar para uma dieta vegetariana, tem quem substitua a carne por massa e cereais, que não têm muita fibra, e a digestão fica mais rápida”, diz Natalia. O fator psicológico pode contribuir também. “Dependendo da motivação da pessoa para tirar a carne da alimentação, ela sente que falta algo no prato”, explica a nutricionista.

 

• “Depois de uns dias, você se sente mais leve”
VERDADE. Ao retirar a carne da alimentação, a digestão se torna mais rápida, por isso a impressão de que a comida vegetariana é mais leve. “Mesmo a carne branca tem uma grande quantidade de gordura e a digestão fica mais lenta e pesada. A fibra da carne é muscular e não auxilia no movimento do intestino, eliminação dos alimentos e na formação do bolo fecal como a fibra vegetal”, explica Natalia.

 

• “Todo vegetariano tem uma alimentação relativamente mais saudável”
MITO. Se a dieta for desbalanceada com muitos alimentos refinados, pouca ou nenhuma fruta, legume e verdura, não tem como ser saudável. Porém, se a base disso tudo for os vegetais e preparos com alimentos integrais, com ingestão de gorduras boas e equilíbrio entre os grupos alimentares, a afirmação é correta.

 

• “Comida vegetariana é muito cara”
MITO. A base da cozinha vegetariana é igual a da alimentação onívora da sociedade em questão. No Brasil, isso significa arroz, feijão, mandioca, milho, legumes e frutas. “Tradicionalmente, as carnes são os alimentos mais preciosos da refeição, tanto em termos nutricionais, simbólicos e em valor de mercado”, relata Juliana.

“As pessoas associam comida vegetariana a produtos industrializados que vendem em lojas especializadas, mas a comida vegetariana é a comida do trabalhador: arroz, feijão”, esclarece Sandra.
Com a criação de alimentos parecidos esteticamente com carnes, queijos e demais produtos de origem animal, a oferta de produtos industrializados veganos aumentou, bem como a percepção dos consumidores em relação a esses alimentos. “Alguns produtos industrializados que imitam laticínios são novos no mercado e por isso têm custo mais alto”, diz Laurino.

 

• “A vida social do vegetariano fica prejudicada”
VERDADE. Quem adota a dieta vegetariana nem sempre está em vantagem ao comer fora de casa. A situação pode virar uma pequena crise: às vezes o anfitrião não sabe muitas receitas vegetarianas e a variedade de pratos é menor. Mas esse seria o menor dos problemas, segundo Laurino: “Não é algo que atrapalhe. Não perco nenhum encontro ou confraternização. Você come menos ou leva algo que coma”.
A vida social pode ser prejudicada pela falta de pratos servidos em confraternizações e em estabelecimentos, mas esse é o menor dos problemas.

“Se você considerar vida social comer fora de casa, há limitações, porque sempre há menos opções sem derivados de animais. Mas socializar não é problema, porque vou para cinema, teatro, casa dos amigos, shows”, complementa Sandra.

 

• “Está na moda ser vegetariano”
MITO. O vegetarianismo existe desde a Grécia Antiga, havendo possibilidades ainda ter surgido antes. Registros que atribuem a Pitágoras a decisão de não comer carne de animais como uma maneira de purificar o corpo. O que muda é a motivação ao longo do tempo. “Por questões religiosas já se negava o consumo de animais na Índia e na Ásia há milênios. Atualmente, o interesse é maior pelas questões ambientais e de saúde”, comenta Sandra.

Atualmente as principais motivações são de ordem ética e moral, para cuidar da própria saúde e para diminuir o impacto no meio ambiente. “Mesmo quem adota a dieta vegetariana por saúde e pelo meio ambiente acaba tendo contato com a causa animal e assume uma postura mais ligada à ética”, observa Laurino.

 

FONTE: Gazeta do Povo

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