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Alergias x Intolerâncias Alimentares

Há alguns anos, o mundo consumia glúten e lactose sem problemas. As crianças se tornavam praticamente adultos comendo biscoitos e tomando leite, sem qualquer restrição. Porém, de alguns anos para cá, a população com alergia ao glúten e com intolerância à lactose multiplicou-se exponencialmente. Não se sabe se a causa ou consequência disso. A indústria alimentícia encheu as prateleiras dos mercados com produtos sem glúten e sem lactose, que ganharam sessões e gôndolas especiais nos pontos de venda. Os especialistas entram com um alerta para as diferenças entre alergia e intolerância alimentar. A médica gastroenterologista cooperada da Unimed Curitiba, Danielle Kiatkoski, explica como identificar uma ou outra, quais são as alergias mais comuns, os sintomas, diagnóstico e tratamento para cada um dos casos.

 

Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar?

A alergia alimentar é uma resposta imunológica que ocorre após contato ou ingestão das proteínas de determinados alimentos, como leite de vaca, ovos, frutos do mar, trigo, amendoim e soja.

A Intolerância é a carência de uma enzima que processa certos nutrientes. O exemplo mais comum é a intolerância à lactose, onde o indivíduo não produz lactase – enzima que catalisa a hidrólise da lactose em glicose e galactose, que faz parte da secreção intestinal e é essencial para a digestão do leite – ou a produz em menor quantidade.

O popular termo intolerância ao glúten é usado de forma equivocada. A doença celíaca é, na verdade, uma patologia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten (trigo, centeio, cevada e aveia) em indivíduos geneticamente predispostos, ou seja, com tendência ao desenvolvimento da doença.

 

Os dois casos são os mesmos sintomas?

Não. Nas alergias, a manifestação pode acontecer de várias formas e em graus variados de intensidade, como urticária, asma, rinite, cólica e até mesmo algo mais sério, como um choque anafilático. A doença celíaca, por exemplo, pode manifestar-se em qualquer idade, predominantemente em mulheres, de três diferentes formas: típica –  diarreia, distensão abdominal, perda de peso, atrofia de musculatura glútea, inapetência, irritabilidade e anemia – , atípica – baixa estatura, anemia refratária a tratamento, osteoporose, desgaste de esmalte dos dentes, dores articulares, retardo da puberdade, irregularidade menstrual, fraqueza – e assintomática – ausência de sintomas, porém com alterações laboratoriais e na biopsia

Nas intolerâncias, os sintomas podem ser variados, desde cólica, distensão abdominal, flatulência até diarreia severa. É importante lembrar que os intolerantes à lactose, por exemplo, podem ingerir pequena quantidade sem que apresentem sintomas severos, porém para os alérgicos, uma pequena quantidade pode trazer consequências graves.

 

Como se dá o diagnóstico para alergia e para intolerância?

O diagnóstico de alergia alimentar é realizado por meio de histórico detalhado e complementado com testes alérgicos. A intolerância à lactose, por exemplo, é mais comumente diagnosticada com teste de sobrecarga oral.  Já a investigação da doença celíaca é feita por dosagem de anticorpos específicos e biopsia de mucosa duodenal – parte inicial do intestino delgado -, por meio de endoscopia digestiva alta. Para o diagnóstico da doença celíaca é fundamental não suspender o glúten antes da realização dos exames.

 

Existe tratamento?

Depende do caso. Na intolerância à lactose, é possível usar a lactase antes da ingestão de alimentos com lactose em sua composição, porém a quantidade de lactose tolerada é bem variável. Alguns indivíduos não conseguem digerir lactose mesmo ingerindo a lactase.

No caso da doença celíaca, é fundamental a restrição total de glúten. Não existe cura para a doença e as enzimas digestivas não protegem contra o dano intestinal. A dieta sem glúten para o celíaco não é moda, não é uma opção. “Só um pouquinho de glúten’ pode trazer transtornos enormes”.

É importante lembrar que existe uma grande diferença entre alimentos sem glúten produzidos para a “dieta da moda” e alimentos sem glúten seguros para celíacos. O alimento sem glúten pode ter sido processado no mesmo ambiente ou na mesma máquina que o sem glúten e, dessa forma, está contaminado e não é apto para celíacos. O ideal é que em casa de celíaco não entre alimentos com glúten para evitar a contaminação cruzada.  Vale lembrar que a poeira do trigo pode ficar em suspensão por até 24 horas, contaminando tudo ao seu redor. A contaminação cruzada acontece, por exemplo, quando se usa o mesmo utensílio para preparar alimentos com e sem glúten ou a mesma esponja de lavar louças.

Também é importantíssimo lembrar que celíacos com animais de estimação como cães e gatos precisam estar atentos à composição da ração, pois os animais além de nos lamberem carregam o glúten em seu pelo e o espalham pelo ambiente. Medicamentos, cosméticos e produtos de higiene com glúten em sua composição também não podem ser usados por pessoas que possuem doença celíaca.

 

Como se alimentar fora de casa?

É importante evitar a ingestão dos alimentos com as proteínas as quais possui intolerância. Ou, se consumi-los, fazer sempre o uso da enzima, conforme prescrição médica. Existem restaurantes seguros para celíacos, livres de contaminação cruzada. No site da Associação dos Celíacos do Paraná (Acelpar), é possível encontrar uma lista completa e sempre atualizada. Ela pode ser acessada pelo link www.acelpar.com.br.

As restrições alimentares trazem consigo muitas dúvidas, por vezes angústias e dificuldades em relação à mudança de atitude e comportamento. O apoio familiar, sentimento de pertencimento e aceitação são fundamentais para a manutenção de uma dieta livre de glúten ou lactose.

 

Fonte: Bem Paraná.

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